terça-feira, 4 de março de 2008

Desconseguir e a arte de elmiminar desequílibrios


Sobre o stress há muito pouco a falar... - condição biológica em que ocorre desequilíbrio entre a produção de espécies reactivas de oxigénio e a sua desintoxicação através de sistemas biológicos que as removam ou reparem os danos por elas causados. Todos os organismos vivos possuem um ambiente intracelular de natureza redutora, existindo um equilíbrio entre as formas oxidada e reduzida de moléculas como o NADH, equilíbrio esse mantido por enzimas à custa de energia metabólica. Perturbações neste equilíbrio redox podem provocar a produção de peróxidos e radicais livres que danificam todos os componentes celulares, incluindo proteínas, lípidos e o ADN.
Acho que a definição diz tudo.
A nossa condição biológica original não deveria incluír este desequílibrio e o pior de tudo é quando nos dizem que o temos e que temos de deixar de ter... A nossa condição biológica não escolheu a nossa way of life... Esta é tremendamente louca e gosta da corda bamba.
Tenho pensado muito nisto por vários motivos, principalmente porque nos últimos meses devo ter ido mais vezes ao médico do que nos últimos dez anos... E houve um (o último) que me disse que eu não podia estar e viver com tanta aceleração. ?!?
Ups... aceleração?! Eu ... sou tão calma, pensei eu... gosto de viver um dia de cada vez... Faço desporto, tento comer bem e a horas, durmo 7/8 horas por dia, não fumo, não bebo... O que é que eu terei de fazer mais...?? Questionei-me bastante... Talvez integrar num mosteiro budista e deixar-me levar pela hora do sol e apenas ficar por lá, de pernas cruzadas a meditar sobre o tom laranja do horizonte ao som dos bongos e das campaínhas... Saindo desta cena muito tibetana, percebi que o problema talvez não estivesse naquilo que se via, mas no que não é palpável. Ou seja o meu problema seria uma questão de atitude.
Por ter um ser a crescer cá dentro que vai herdar grande parte do que eu lhe transmito... Desde a música que eu oiço todos os dias, à comida que eu como, às horas que eu durmo, às gargalhadas que me apetece dar e que dou, às lágrimas que teimam em aparecer quando me emociono e que eu não impeço de caír... Por saber que ele vai ser tudo isso e mais um milhar de coisas, percebi, senti, reflecti e decidi mudar de atitude perante os desequíli brios que podem aparecer entre a produção de espécies reactivas de oxigénio e a sua desintoxicação...
Estou-me nas tintas para os desequílibrios... para os dinossauros, para os tacões da D.Carla, para os forecasts de fim do mês, para os indicadores, para o trânsito, para as contas do fim do mês, para o cotão que pode apareçer no chão, para a depressão em que vivemos... Estou-me nas tintas.
Como dizem os moçambicanos (saudades...) DESCONSEGUI e podem ter a certeza que consigo ser bem mais feliz assim.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

D.Carla

Tenho uma vizinha de cima. Seu nome...Dona Carla. Já tive vários acessos de fúria causados pela D.Carla, mas só hoje tive alguma calma e discernimento para escrever sobre o assunto. Desde que vim para Lisboa começei a saber e a viver com a realidade "vizinhos". Antes de vir, tive uma infância e juventude muito felizes, nas quais faziam parte uma casa, um quintal e nada de vizinhos de cima, de baixo, dos lados.
A D.Carla tem os cabelos todos brancos e a primeira vez que a vi vestia um robe azul a condizer com os seus olhos esbugalhados.
Vive sózinha e tem uma TV que quando ligada comprova, com toda a sua sonoridade, a falta de isolamento sonoro do prédio onde vivo.
A solidão da D.Carla aflige-me, não só por motivos perfeitamente egoístas, mas também porque espelha bem a realidade das pessoas sózinhas e velhotas que vivem no nosso país.
Ao fim de semana arrasta móveis por volta das 7 da manhã e tem conversas ao telefone por volta das 8... Anda de saltos em casa e houve um sábado que esteve desde as cinco da manhã até
às sete e meia (hora em que me passei...e tive de intervir) a "fazer piscinas" em casa... Pareciam martelos no tecto (no meu tecto, no chão da D.Carla), mas não ... eram mesmo os tacões da D.Carla. Segundo ela estava à espera de uma amiga que a viria buscar... E ela já estava pronta para saír. Ás sete e meia da manhã de um sábado, a clarividência e o raciocínio de quem trabalha toda a semana não são das melhores, mas percebi a partir dessa madrugada que tinha alguém com graves problemas psicológicos a viver por cima de mim.
E o que fazer? Durante quanto tempo mais vou ter de ouvir as novelas da SIC que a D.Carla ouve, os telefonemas, o arrastar dos móveis e os tacões das botas??
Ninguém sabe.
Ninguém quer saber.
E não... já desisti do plano maquiavélico de "exterminar" a D.Carla (inspirada num filme que vi há pouco tempo - "Duplex")..
O crime não compensa... Prefiro comprar uns tampões para os ouvidos e está resolvido.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Bote de Borracha e Pombinhos Afogados

Aí está a bela segunda-feira, a começar bem... sem gás em casa e com uma noite mal dormida, ainda com os trovões a ecoar nos ouvidos.
Quando chove uma noite inteira, qualquer humanóide que viva em Lisboa e arredores, devia ter, para sua precaução, um bote de borracha a remos... Sim a remos e seguramente chegaria mais rápido ao destino do que armado em automobilista anfíbio... Hora e meia a percorrer caminhos tortuosos e alagados, quando em dias ditos normais (secos e com sol como tão mal estamos habituados) demoro 15 minutos... Muito bom para se começar a semana bem (mal) disposta e com vontade de mandar tudo para um sítio menos molhado e mais mal cheiroso, e voltar para onde não devia ter saído... a minha querida cama.
Fazendo um recuo temporal, o dia de S.Valentim passou sem nota digna de registo... Eu faço "orgulhosamente" parte do grupo de pessoas que faz fincapé (é assim que se escreve, ou a palavra não existe mesmo?) em não celebrar... porque acho rídiculo e estupidificante jantar fora num dia desses... Primeiro é díficil jantar sem marcar, depois são pombinhos a mais e por fim tenho este mau feitio, enfim... E depois tenho um trauma que me marcou o ínicio da juventude, num dos dias 14 de Fevereiro, quando recebi um coração de cetim com uns braços a dizer "I'm Yours"... Percebi nesse dia que não tinha feitio para coleccionar bonecada e se calhar era melhor deixar bem explícito no início dos poucos namoros que vivi (felizmente...!!!) que existiam duas coisas que me tiravam a calma : uma era chamarem-me "Amor, Amorzinho" ou qualquer uma destas sem o A inicial, a outra era "ter de" celebrar o S.Valentim e "ter de" oferecer um presente só porque sim... Felizmente encontrei na minha "cara-metade" alguém que pensa como eu e não sente como eu esta estranha necessidade de mostrar todo o love num só dia...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Alívio

E depois veio o dia A... não de Amniocintese (nome bonito....) mas sim de Alívio.
Está tudo bem com o baby. Os resultados foram claros. Ele é saudável.
E isso é o que realmente importa para mim.
Agora vou viver esta fase da melhor forma possível. Basta de agonia, basta de angústia e de ansiedade.
Um dia de cada vez .

Seize the day.
Carpe diem.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Sambona

Depois de um belo dia de cão, nada melhor do que dizer uns disparates...
Finalmente o carnaval passou...
Fico sempre aliviada depois desta festividade, porque normalmente significa que parte do Inverno já lá vai, os dias estão maiores e a depressão pós-natalícia e porque não carnavalesca!! passou de vez.
Aqui vai uma confissão... Já não gosto assim tanto do Carnaval... Chateia-me porque está sempre a chover... e depois porque é mais um dia do calendário que é obrigatória a diversão... e tudo o que não é de espontânea e livre vontade aborrece-me. Peço desculpa aos foliões que me rodeiam... Alguns deles já sabem desta minha "pequena aversão"... E depois são as músicas... Porque sempre as mesmas?? Porquê o "Charlie Brown" e a "Mamãe eu quero mamar"??? Porquê?? ALGUÉM SABE?
Claramente isto é um pouco de mau-feitio... Mas nem tudo é mau... Se virmos o lado positivo de tudo isto... Há alguma coisa melhor do que ligar a televisão e ver as banhas de uma tipa branquela qualquer da Mealhada/Ovar/Loulé armada em "Sambista" (ou será sambona... pronto dançarina de samba)... Não há nada mais divertido que isto... Mandar uma boa gargalhada à conta dessas imagens hilariantes do nosso Portugal Carnaval onde ninguém leva a mal, nem um pneuzito michelin... EHEHEH.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

As minhas preciosidades


A angústia dos últimos dias está a passar.
Já canto no carro de novo e isso é sempre bom sinal.
Sem o apoio das pessoas que, por várias vias, me têem transmitido good vibrations, talvez não fosse possível.
A melhor coisa do mundo está nessa humanidade, que muitas vezes é diferente de pessoa para pessoa... Não precisamos todos de ser meigos e bonzinhos para sermos humanos com alguém. Ás vezes basta uma pequena dose de loucura para nos pôr a rir, uma frase mais dura para nos fazer pensar, um abraço forte para nos sentirmos bem... Não preciso de grandes actos para me sentir bem. Fico muito feliz por perceber que tenho verdadeiras preciosidades à minha volta que à sua maneira me fazem ... bem. Essas preciosidades são os amigos e a família (que também são amigos....).
Este post é dedicado (sem lamechiçes... mesmo com o ácido fólico à mistura...) a todos eles.
Aos dos telefonemas, das mensagens, das visitas, do fornecimento de várias comidas, revistas, séries, plantas que se transformam em flores... Aos que me obrigaram a ver o Noddy e me cantaram a música da "Ilha das Flores", aos que me mimaram até demais.... A todos Um Beijo do tamanho do Mundo!!!!

sábado, 26 de janeiro de 2008

21 Dedos


De volta à rua. Finalmente saí de casa, depois de 4 longos dias de descanso obrigatório...E como tudo o que é imposto, sem ser por livre vontade, foi a custo que passei tantas horas sem poder saír da cama...
O dia A correu sem sobressaltos... As emoções estavam à flor da pele... Não dormi nada na véspera. Cheguei cedo à fábrica dos bébés (o que eu gosto de chamar á Maternidade Alfredo da Costa) e deparei-me com uma sala de espera com mulheres acompanhadas, que tal como eu estariam ali para o mesmo, a única diferença: a idade. Grande maioria eram mais velhas, com ar cansado de quem não desistira, mas que já passara por muito.
"O exame é de foro invasivo. Tem noção disto, certo? Vai ter de assinar um papel tipo "termo de responsabilidade" "... "Há riscos de 1,5% de poder perder o bébé, mas já deve saber.." Sim, eu já sabia. Claro que sabia. Li muito antes de deste dia e sabia ao que ia.
Antes do dito exame invasivo (vulgo agulha grande espetável na barriga...), fiz a ecografia. E foi uma agradável surpresa encontrar 2 médicos bem-dispostos, que conseguiram arrancar-me umas gargalhadas e esqueçer por momentos tudo o que ia acontecer. Devia ser a décima amniocintese feita nessa manhã por aqueles dois seres e mesmo assim a boa-disposição imperava, assim como a humanidade que muitas vezes pensamos (erradamente!!!) que jamais encontraremos em hospitais públicos. Antes da invasão, a revelação... "Tem as medidas todas normais, tem aqui os rins, a aorta, o coração, muito bem... e já viu tem 21 dedos!!" ... 21 DEDOS? A nervoseira não me deixou raciocinar, mas a imagem falou por si... E foi inchada de orgulho que vi o 21º dedo no ecrã... E isto das emoções tem um poder inimaginável.. A agulha invadiu e eu pouco ou nada senti das duas picadas previstas.
Agora é esperar. Tentar fazê-lo serenamente. Agarrei-me às boas vibrações que aquele momento me trouxe.
Foi o momento do 21º dedo que mais do que qualquer analgésico, calmante ou sonorífero, me trouxe a calma necessária e a felicidade eterna do segundo que valeu por tudo o resto.